Então você deseja ser um designer?

Com o crescimento da área de jogos, muitos jogadores têm o desejo de tornarem seu hobby uma profissão. Entre as diversas carreiras do meio, como programadores, artistas, produtores, a área de game design é almejada por muitos.

Entretanto, como ser um game designer? Por ser uma área muito nova, não há um currículo estabelecido como padrão e as formações e escolas para a área são as mais diversas.

Entretanto, há algumas recomendações gerais. Richard Garriot, game designer da série de RPG Ultima, e um dos meus designers preferidos, diz que a formação nessa área deve ser a mais expansiva possível. O game designer deveria ter noções de programação, algoritmo e pensamento lógico. Além disso, deve interessar por arte, gostar e estudar elementos de música e trilha sonora.

Ou seja, o game designer deve ir incorporando na mecânica que desenvolve do seu jogo os outros elementos desenvolvidos pela equipe, ao mesmo tempo em que essa mecânica expande e influencia o trabalho da equipe. Devido a isso, é importante ter noções nessas áreas. Elas auxiliam a manter constante o fluxo de trocas no desenvolvimento do jogo.

Outra dica que considero importante no desenvolvimento como game designer é a máxima “Jogue. Jogue muito, jogue tudo.” Normalmente há dois grandes grupos de jogadores e designers: o grupo ligado aos jogos digitais e os voltados para jogos analógicos. Dificilmente há uma comunicação entre esses dois blocos, e isso é prejudicial para o game design. Ao conhecer os elementos de mecânica e de desenvolvimento de ambas as áreas, o designer pode cruzar elementos em comum e proporcionar sinergia e expansão de possibilidades para seu projeto.

Outro elemento para o game designer é aprender mais sobre matemática, principalmente voltada para jogos. Você não precisa gostar, mas é importante conhecer mais sobre assuntos como conjuntos, noções de probabilidade, cálculo, teoria de jogos, entre outros elementos que irão ajudar no desenvolvimento de um jogo “balanceado”. Conhecer mais matemática também irá lhe permitir uma melhor comunicação e integração com, por exemplo, a equipe voltada para o desenvolvimento da programação de um jogo digital.

Além de jogar muito, vá aos mais diversos tipos de eventos relacionados a jogos. Os mais diferentes possíveis, sejam eles de RPG, boardgames, videogames, campeonatos de carteados, jogos esportivos. Converse com as pessoas, descubra o que as atrai nesses jogos, experimente novos jogos, jogue no evento, vivencie a experiência dos participantes.

Por último, “crie, crie, crie muitos jogos”. A leitura é importante, a observação e a vivência também. Mas nada irá desenvolver mais suas habilidades de design de jogos do que a prática. A criação e prototipação de jogos analógicos facilita esse processo, pois requer poucos recursos técnicos e permite focar no desenvolvimento do jogo. Enquanto em um jogo digital a implementação de suas ideias iriam exigir um bom tempo de desenvolvimento, no desenvolvimento analógico você pode testar essas ideias mais rapidamente, e ir promovendo modificações e o desenvolvimento de suas habilidades de uma forma mais fácil. Mas chega de jogar com as palavras por hoje. Mãos a obra, há muitos jogos para serem feitos.