Relatório Gamerama Workshow: Tabuleiro SESC Teresópolis 2010 (Primeiro Dia)

Continuamos os relatos finais do Gamerama Workshow, Teresópolis, região serrana fluminense, sob o Dedo de Deus e os temores de uma rodovia problemática. O  Festival de Inverno termina, os saldos são contabilizados…

BR-040,  sexta-feira:

A lentidão na estrada era devido às obras de operação que segundo o nosso estalajadeiro já duravam um ano. Pior para Protasio, tenso devido a um carro ridiculamente potente sob a sua direção e pedaleira, atrás de uma kombi igualmente pouco poderosa. À frente na noite, uma procissão de caminhões em subida. Atrás, uma fila ainda maior e nosso maior temor, o de ficar na estrada caso o carro morresse por falta de perícia ou por problemas mecânicos. Surpreendentemente, sobrou ao Protasio perícia, e chegamos sãos e salvos em Teresópolis, para descobrir atônitos que o GPS havia nos colocado na rota de uma obscura favela, que cariocamente contornamos. A segunda descoberta, ainda pior, após vencer os treze quilômetros de serra íngreme ultrapassada Guapimirim, era de topar com outra ladeira que levaria ao nosso hotel já reservado. Nem em sonhos nosso veículo escalaria a ladeira, restando-nos a tentativa de outras vielas que fossem menos íngremes. Em vão. Optamos (como se fosse opção realmente) em nos registrar no Varzea Palace, em vetor normal em ângulo reto ao solo.

Há fatos adversos que culminam em divertimento, e com o hotel não foi diferente. Nunca antes havia me sentido tão dentro de um desenho do Scooby Doo: a mansão de 1911 cheirava a filme de Agatha Christie. Mas dada as últimas façanhas automobilísticas e ao frio que já importunava, os fantasmas seriam as menores de nossas preocupações.

Embora aparentemente assombrado, nosso susto maior foi com um acesso gratuito wi-fi de excelente qualidade, suficiente para preparar as apresentações do dia vindouro e chatear alguns insones amigos, mesmo cansados. Uma noite de sono e um pitoresco desjejum matinal fazem milagres com os ânimos mais aquebrantados e seguimos rumo ao SESC Teresópolis para cumprir nossa última missão no Festival de Inverno.

Delfim Moreira, primeiro dia:

Surpresas prévias não faltaram, e sabíamos que poderia ser pior caso nosso veículo se recusasse a encarar novas pistas em aclive, de modo que o carro ficou com um merecido descanso, seguindo a pé os valentes intrutores rumo ao SESC. A cidade agradável, um sol invernal delicioso… e a delegada pelo SESC em nos acompanhar em apoio a oficina, simpaticamente nos forneceu uma lista de dezesseis pré-inscritos. Nova Friburgo serviu de alerta para a situação que encaramos com bom-humor: mesmo com poucos inscritos inicialmente, outros chegariam, alguns de longe inclusive. Teresópolis não seria diferente.

Mas foi.

Na sala, dois alunos. Hora marcada. Apreensão…

Um outro se aproximou… Um quarto…

E só.

Bicicletinhas

Por algum motivo adverso que ainda investigamos, o quorum contou com apenas quatro vezes menos o total de pré-inscritos e oito vezes menos o total esperado. Mas isso não é motivo de vergonha, muito pelo contrário. Parece que para a região e os interesses locais, quatro engajados seria considerado uma multidão. Fica aqui a nota positiva em relação ao Serviço Social do Comércio: a pluralidade de atividades fornecidas cumpre com seu papel integrador junto a sociedade, seja quais forem os interesses de seu público. E novidades sempre podem suscitar dúvidas em um primeiro momento. Em Friburgo, houve certa confusão que a atitude dos oficineiros soube remediar (achavam que nós iríamos trazer video-games em uma kombi, saravá). Em Teresópolis, infelizsmente, os pré-inscritos sequer se deram ao luxo de investigar do que se tratava e acharam melhor ficar em casa vendo televisão ou foram aproveitar as praias no litoral, pois afinal, seria o último final de semana de férias escolares e o princípio de mês deixaria muitos com dinheiro no bolso para curtir aquelas vesgas de sol. De qualque modo, explicar a situação de poucos alunos não nos cabe, se comparadas as outras duas cidades…, mas suponho que pensamentos alheios de se poder conferir a oficina no dia seguinte ter-se-ia servido de desculpa para muitos. Também em Friburgo observamos que o texto de apresentação precisa retificar o pensamento de que o Gamerama Workshow se dá em dois dias subsequentes e não que um dia é repetição do anterior. Isto posto, continuemos o discurso.

Contabilidade de pontos

Os alunos engajados se apropriaram do curso com inicial timidez, como de praxe, para posterior liberdade de ação. Ao que nos pareceu, quando imersos em um sistema de muitos componentes ativos, os alunos tendem a se soltar mais em suas sugestões, e uma sala relativamente vazia, aconchegante, ostentando litros de café e biscoitos amanteigados  pode significar um certo peso decisório. Como já colocamos, jogos são atividades coletivas. Faltáva-nos o coletivo, mas os trabalhos continuariam, embora de modo mais custoso e burocrático.

Ao término da atividade teórica, foram produzidos dois jogos bem pensados e pragmáticos, que ao seu modo contemplaram as situações restritivas de conceito e operacionalidade. Ainda que de modo pouco sistemático sob um esgar mais comprometido, os dois grupos alcançaram os objetivos laborais propostos. Parafraseando o Capitão Nascimento: “Missão dada, é missão cumprida”. E assim foi. Não menos.

Ilustrando as cartas

O resultado do empenho do dia foi premiado diante de Protasio e seu gigantesco hamburguer da rede Vagão, em companhia do meu editor da Novas Idéias. Entre risadas e planos de publicações vindouras, uma carona providencial deixou-nos no nosso hotel preterido pela ladeira, em um carro tão “umpontozero” quanto o meu… Algo não estava certo, mas era tarde demais para descobrir. O dia seguinte guardaria novidades com  a atenção do SESC em sua delegada para verificar o ocorrido com os pré-inscritos não presentes. Assim pensando, dormimos, sabendo de antecedência que viria um importante reforço da Capital… Na manhã seguinte, essa nova personagem traria respostas ao problema com o carro, mas essa narrativa será melhor aproveitada por meu companheiro de aventuras, o Sr. Arthur Protasio.

Que ele trove…

2 thoughts on “Relatório Gamerama Workshow: Tabuleiro SESC Teresópolis 2010 (Primeiro Dia)

  1. As duas cousas. No entanto, foi notório perceber que embora haja óbvio interesse pelo assunto, poucas coisas competem tão bem com um belo dia de sol! :)

  2. Caramba, que zica! Algo me diz que esse baixo número permitiu um aproveitamento melhor dos alunos inscritos, com um clima mais intimista e sendo quase uma aula particular.

    Estarei certo?

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