Relatório Gamerama Workshow: Tabuleiro SESC Friburgo 2010 (Segundo Dia)

No domingo, eu e meu amigo Guilherme Xavier voltamos ao agradável SESC de Nova Friburgo no mesmo horário e lá encontramos nossos empolgados participantes. Infelizmente não podemos contar com os “mirins”, pois estavam envolvidos em outras atividades com seus pais. Entretanto, ganhamos a participação de um casal de namorados.

Iniciamos as atividades com uma apresentação teórica. Ela foi focada numa parte mais prática e organizacional dos jogos. Apresentando principalmente métodos de documentação e de desenvolvimento de projetos. Ou seja, após os conhecimentos do dia anterior, onde foram apresentados os elementos básicos dos jogos, os aspectos estéticos e pontos importantes para envolver e estimular os jogadores, focamos nessa parte em métodos que tornem possível transformar esses jogos em realidade.

As cartas do jogos dos ninjas

Essa base teórica foi mais sucinta do que nos dias anteriores, pois esse segundo dia é mais centrado no desenvolvimento de novos jogos pelos participantes.

Foi interessante notar, que mesmo sendo o segundo dia de atividades, os jogadores continuarem atentos a apresentação teórica. Acredito que essa atenção foi facilitada pelo fato de termos tido atividades práticas no dia anterior. Esse pragmatismo é importante para fazer a ponte da teoria para a prática, e com isso aumentar a atenção dos participantes, pois eles percebem que os conceitos que estão tendo contato serão utilizados em breve quando realizarem as atividades propostas.

Após essa apresentação conceitual básica, iniciamos uma parte prática de desenvolvimento de jogos. Para organizar esse desenvolvimento, são apresentados alguns elementos e características particulares que cada grupo de participantes teria que desenvolver. Esses elementos basicamente colocavam certas restrições no processo de desenvolvimento que eles deveriam realizar.

Estimando o espaço
Eis uma célula

Os grupos teriam que desenvolver um jogo de tabuleiro que fosse para duas ou mais pessoas, cada grupo recebeu a incumbência de desenvolver uma forma particular de tabuleiro: um redondo, um retangular, um que mudasse ao longo do jogo e outro que deveria ser construído ao longo do jogo. Além disso, cada grupo deveria escolher três palavras que representavam padrões de jogos. Por exemplo, alguns grupos escolheram: pular, simular, ritmo, furtividade, dentre outros. Cada grupo sabia que estavam escolhendo essas características para serem utilizadas por outro grupo. Entretanto, após escolherem esses elementos, eles foram delegados a grupos diferentes dos grupos escolhidos inicialmente. Fizemos isso para reforçar o aspecto da importância de trabalhar com a imprevisibilidade e com padrões não habituais. Essa particularidade proporcionou reflexões interessantes. O fato de criarmos “dificuldades” para eles, resulta em um desenvolvimento muito mais focado e centrado no jogo. Inicialmente os participantes sentiram uma dificuldade, porém ao romperem a inércia e trabalharem em grupo, o jogo se desenvolveu de forma bastante interessante.

Tabuleiro de jogo de mudanças imprevisíveis

Parece que quando os participantes são colocados frente a certas limitações, surgem jogos muito mais peculiares e focados do que se fosse dado um tema livre. Um exemplo disso, foi um grupo de participantes que recebeu a característica que exigia que o tabuleiro de seu jogo fosse formado ao longo da partida. O jogo que desenvolveram, uma espécia de jogo de competição entre trens, onde os trilhos eram formados pelas próprias cartas, ficou bastante interessante e original. Apesar de terem afirmado no começo da atividade, que era impossível fazer um jogo com um tabuleiro assim.

Os trens e a sabotagem

Esse exemplo, corrobora mais um pouco a metodologia empregada. O ato de estabelecer determinados grupos, e apresentar quais as características que eles devem utilizar e desenvolver, acaba levando os participantes a pensarem novos caminhos e possibilidades para resolverem as questões a que eles são expostos.

Após o início do desenvolvimento dos jogos, os participantes saíram para o almoço. Em relação ao almoço vale destacar que ele é de fundamental importância social, se inicialmente a grande maioria dos participantes não se conheciam, após o jogo que tiveram que desenvolver juntos no dia anterior já havia sido estabelecido uma maior proximidade entre eles, e o almoço serve como uma forma de fortalecer esses laços. Pois nesse momento, alguns grupos decidiram almoçar juntos e nesse momento ocorrem muitas trocas sociais entre eles, conversas sobre jogos, sobre possibilidades no jogo que estão desenvolvendo, e trocas de formas de contato para pensarem possíveis parcerias e desdobramentos futuros.

Com os jogos desenvolvidos, os grupos foram chamados para apresentarem suas criações para os outros participantes. Um ponto interessante dessa atividade para o “bug hunting” do dia anterior, foi que dessa vez colocamos a mesa de apresentação bem no meio do local da atividade. Essa mudança física foi muito benéfica, pois o nível de participação foi maior que o anterior. Essa é uma das atividades que considero mais ricas no Gamerama. Além do participantes apresentarem seus jogos, o fato deles comentarem os jogos alheios, expande suas capacidades de análise. Essa experiência também ressalta para os participantes a importância do playtest como atividade essencial de game design. Aliás, acho que expandirmos o tempo dessa atividade pode ser algo interessante para testarmos em Gameramas futuros. Permitindo que participantes de determinado grupo, joguem mais vezes os jogos dos participantes dos outros grupos, estimulando dessa forma suas habilidades no desenvolvimento de jogos e expandindo a socialização entre os grupos, estimulando a formação da comunidade de jogos.

Turma reunida!

Na parte final, para fazer um fechamento agradável e lúdico, foram apresentados alguns vídeos relacionados a jogos, especialmente os produzidos pela comunidade independente. Isso proporcionou muitas risadas entre os participantes e a sensação de que foi o gosto em comum pelos jogos que reuniu todos ali, mas isso foi só o começo de algo que esperamos que seja muito maior. Avante! Petrópolis agora é o tabuleiro da vez.